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Ensaios, críticas, reflexões, contos, crônicas, poesias... Discuções artísticas: literárias, cinematográficas, cênicas, entre outras.

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Terra Blog

26.04.08

Passárgada

categorias: Narrativa

Publicarei, aqui, mais um conto falando de Passárgada, cujo nome é “Passárgada”. Este conto será publicado pela revista literária da UNESP, não agora no mês de maio, mas sim na edição de agosto, já que o rapaz aqui foi um pouco demorado na inscrição para a seleção de textos. Enfim, neste conto apresento uma outra visão do que pode ser Passárgada.

 

Passárgada

Amanheceu. Um dia tão belo esse que começou! Diferente de todos os outros de sua vida. Foi com os braços ainda levantados e a boca escancarada que Davi viu o sol laranja-amarelado, ainda pela metade, no horizonte. Caminhou para a mesa do café da manhã, sua mãe o esperava. Ela ainda usava a camisola branca de quando foi para a cama na noite anterior.
-Mãe, hoje realizo o meu sonho!
A mãe jogou os cabelos grisalhos para o lado virando bruscamente a cabeça e mostrando a nuca para Davi. Voltou os olhos para a pia e pôs-se a lavar algumas xícaras trincadas para o café.
-Não desiste dessa idéia, não é, meu filho?
-Como poderia desistir de um sonho?
-Seu sonho não cabe na nossa realidade, filho, ponha os pés no chão.
Foram, estas, as últimas palavras trocadas entre os dois antes do breve tchau e do leve beijo de despedida no rosto ainda macio da mãe.
No encontro rotineiro com os colegas de trabalho, já no intervalo para almoço, deu a notícia:
-Hoje “vou-me embora pra Passárgada”!
-Ainda com essa idéia, Davi? – perguntou um dos colegas.
-Por que tal desejo? Tão maluco... – perguntou outro.
-Lá posso tudo, lá sou amigo do rei. Passárgada é a tela... eu sou o pintor.
-Desde a escola fala isso, tínhamos quantos anos? Treze, não era? Aquela aula de literatura... Agora já passa dos quarenta! Desiste da loucura! – disse outro colega colocando a mão no ombro de Davi na esperança de convencê-lo com o gesto.
-Não é minha pretensão desistir... – tirou a mão do ombro num gesto brusco, levantou-se da cadeira e partiu para a porta de alumínio aberta da lanchonete. Correu para a calçada. Soltou um grito inaudível por causa do vento, cujo apenas este narrador foi capaz de decifrar o significado: “Vou para Passárgada!”... e atravessou a rua.
Era tudo branco, foram seus olhos os que viram o primeiro nascer do sol, os primeiros pássaros voando...
O céu ficou azul em Passárgada.

  • criado por  rmarchesin criado por rmarchesin
  • Postado em 18:11:36
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