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Terra Blog

05.02.08

Invisível

categorias: Crônica

Este é uma crônica dedicada a todos que se sentem invisíveis nessa sociedade injusta em que vivemos.

Invisível

Bem, a história que eu vou contar é a de um homem.
Um homem tão excluído pela sociedade que um dia acordou invisível. Levantou de sua cama sem nada perceber, só reparou a diferença quando se olhou no espelho após lavar o rosto. A princípio foi um choque, mas com o passar do tempo, ali, parado na frente do espelho, foi se acostumando com a idéia e até começou a gostar dela.
Passou a fazer umas brincadeiras com as xícaras e o bule de café durante o café-da-manhã. Os fazia voar! Mas não tinha a quem mostrar suas façanhas, era um cara excluído, não tinha mulher nem qualquer outra manifestação de família. Resolveu, então, sair pela rua e aproveitar...
No centro da cidade, onde estava a maior concentração de pessoas, começou a fazer seus truques. Fez latas de lixo voarem para cá e para lá, fez papéis e tudo o mais que sua força agüentava levantar planarem. Só que ninguém reparava nele, estava em São Paulo, lá as pessoas são atarefadas e não se importam com coisas do tipo. Algumas até olhavam, mas passavam reto e seguiam para suas tarefas diárias sem dar maior atenção a essas coisas sobrenaturais.
Vendo que seus feitos não surtiam efeitos, pensou consigo: “Vou aproveitar”, e esfregou as mãos, mas isso nem eu vi, ele está invisível! Logo a sua frente, parada na calçada, havia uma mulher loira, linda, siliconada (para simplificar). Seus dedos haviam de tocá-la, mas, antes de tocar um dual beldades, deveria estrear as mãos. Viu uma mulher já com sua idade, os cabelos estavam brancos, levou as duas mãos aos seios dela. Eram macios, nunca havia feito isso antes, ele era excluído, já não disse? A senhora abriu um sorriso.
Bom, acontece que ele foi até a siliconada, chegou por trás e tacou uma mão numa nádega e a outra num peito. Peito duro, “o da senhora é melhor”, pensou. A mulher gritou: Tarado! Foi quando ele viu um homem de dois metros de altura surgir, os músculos eram enormes! Foi o tempo de fugir, não era necessário, mas correu. Não sabe ele que o homem que estava atrás da mulher faleceu vinte dias depois de entrar em coma por causa de um soco causador de uma fratura craniana.
Em certo momento desse dia, nosso homem invisível já estava tão acostumado em ser invisível que já tinha esquecido que ninguém podia vê-lo. Foi quando resolveu atravessar uma das movimentadas avenidas de São Paulo sem olhar para os dois lados. Foi uma coisa estranha para o dono do Gol 98 vermelho. O carro amassou do nada.
Os dias se passaram e volta e meia alguns carros dão alguns pulos, algumas pessoas tropeçam em algo que não podem ver, nem reparam direito, pensam que foi uma pedra ou uma marcha errada. O corpo do nosso homem jaz perdido por aí, as vezes preso em algum pneu ou dentro do sapato de alguém. Eu só não sei dizer se essa história é verdadeira pois eu nunca vi o cara, ele estava invisível e antes ele era excluído, por que eu iria reparar nele? mas um homem morreu por causa de um murro e outro perdeu o pára-choque do carro. pelo menos uma coisa é certa: não vai mudar nada mesmo...

  • criado por  rmarchesin criado por rmarchesin
  • Postado em 18:52:18
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