Bar do Rafa

Ensaios, críticas, reflexões, contos, crônicas, poesias... Discuções artísticas: literárias, cinematográficas, cênicas, entre outras.

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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008

06.02.08

Uma aula para escritores

categorias: Other

Este texto foi retirado do livro “Sombras da Noite”, de Stephen King, publicado em 1978. O texto é a introdução do livro, escrita por John D. Macdonald, um conceituado escritor norte-americano. A introdução é composta de palavras sábias sobre a escrita, dedicadas, um pouquinho para o escritor iniciante, um pouquinho para o escritor já experiente. Dá uma aula completa para a formação de grandes escritores. Fala, também, de Stephen King e um pouco de suas obras. Como a introdução a seguir é uma grande fonte de inspiração para mim, resolvi compartilhar essas palavrinhas com todos que se abrem para novos conhecimentos.

Introdução de John D. Macdonald

Nas festas (às quais evito comparecer sempre que possível), muita gente me aperta a mão com um sorriso e diz com ar alegre de conspirador:
Sabe, sempre desejei escrever.
Antes, eu procurava ser cortês.
Atualmente, replico com o mesmo júbilo e excitação:
Sabe, sempre desejei ser neurocirurgião.
As pessoas parecem intrigar-se com isso. Não importa. Há muita gente intrigada rondando por aí ultimamente.
Quando se deseja escrever, escreve-se.
A única maneira de aprender a rescrever é escrevendo. E não seria um modo útil de abordar a neurocirurgia.
Stephen King sempre desejou escrever – e escreve.
Assim sendo, escreveu “Carrie”, “Salem’s Lot” e “O iluminado”, além dos ótimos contos que estão neste livro e de um número estupendo de outros contos, livros, monografias, poemas, ensaios e outros trabalhos impossíveis de classificar, a maioria deles por demais insignificantes para jamais serem publicados.
Porque é assim que se faz.
Porque não existe outra maneira. Nenhuma outra maneira.
Diligência compulsiva é quase suficiente. Mas não basta. É preciso ter gosto pelas palavras. Gula. É preciso querer rolar nelas. É preciso ler milhões delas escritas por outras pessoas.
Lê-se tudo com grande inveja ou fatigado desdém.
Reserva-se grande parte do desdém para as pessoas que ocultam a inépcia com palavras compridas, estrutura de frase alemã, símbolos importunos e nenhum senso de narrativa, ritmo ou personagem.
Então, é preciso começar a conhecer-se tão bem que se passe a conhecer as outras pessoas. Há um pedaço de nós em cada pessoa a quem somos apresentados.
Muito bem, então. Diligência estupenda, somada ao amor às palavras, mais a empatia, e de tudo isso pode surgir, dolorosamente, alguma objetividade.
Nunca a objetividade total.
Neste momento frágil de tempo, datilografo estas palavras em minha máquina de escrever azul, sete linhas abaixo do topo da lauda, a Segunda página desta introdução, conhecendo nitidamente o sabor e o significado que procuro, mas sem a mínima certeza de estar akcançando.
Estando em atividade o dobro do tempo de Stephen King, sou um pouco mais objetivo quanto ao meu trabalho do que ele é em relação ao seu.
É um processo lento e doloroso.
Enviamos livros ao mundo e é muito difícil debulhá-los do espírito. São filhos enredados, tentando abrir caminho a despeito das desvantagens que lhes impusemos. Eu bem que gostaria de trazê-los todos de volta a casa e dar em cada um deles uma última e forte palmada. Página por página. Escavando e limpando, esfregando e polindo. Arrumando.
Stephen King é, aos trinta anos, um escritor muito, muito melhor do que fui aos trinta, ou aos quarenta.
Tenho o direito de detestá-lo um pouco por isso.
E julgo conhecer uma dúzia de demônios que se ocultam nos arbustos a que se conduz sua senda; mesmo que eu dispusesse de meios para adverti-lo, não adiantaria. Ou ele os derrota ou eles o vencem.
É exatamente tão simples assim.
Acompanharam-me até aqui?
Diligência, gula pelas palavras, empatia, resultam em crescente objetividade. E depois?
Narrativa. Enredo. Enredo, com os diabos!
O enredo é algo que está acontecendo a alguém de quem fomos levados a gostar. Pode ocorrer em qualquer dimensão – física, mental, espiritual – e em combinações dessas dimensões.
Sem intromissão do autor.
Intromissão do autor é:
Meu Deus, mamãe, veja como estou escrevendo bonito!
Outro tipo de intromissão é grotesca. Eis aqui um de meus exemplos prediletos, roubado a um Maior Best Seller do ano passado:
Seus olhos escorregaram pela frente do vestido dela.
Intromissão do autor é uma frase tão inepta que o leitor percebe repentinamente que está lendo e sai da narrativa. O choque o arranca da narrativa.
Outra intromissão do autor é a miniaula inserida na narrativa. Esse é um dos meus defeitos mais graves.
Uma imagem pode ser bem concebida, ser inesperada e, ainda assim, não quebrar o encanto. Num conto deste livro, intitulado “Caminhões”, Stephen King escreve a respeito de uma tensa cena de espera em uma parada de caminhões, descrevendo as pessoas: “Era vendedor e mantinha sua maleta de amostras perto de si, como um cão de estimação adormecido”.
Acho isso ótimo.
Em outro conto, ele demonstra seu bom ouvido, o tom de exatidão e verdade que é capaz de dar ao diálogo. Um homem e sua mulher estão fazendo uma longa viagem. Percorrem uma estrada secundária. Ela diz: “Sim, Burt. Sei que estamos em Nebraska, Burt. Mas onde, diabo, estamos nós?” Ele replica: “Você tem o mapa rodoviário. Procure. Ou será que não sabe ler?”
Muito bom. Parece tão simples. Exatamente como a neurocirurgia. A faca é afiada. A gente a segura assim. E corta.
Agora, correndo o risco de ser um iconoclasta, direi que pouco me importa o que Stephen King escolha como área na qual escrever. O fato de ele gostar atualmente de escrever sobre fantasmas, encantamentos e barulhos no porão é para mim o menos importante e útil que se possa relacionar ao homem.
Neste livro existe muito ruído estranho, bem como uma enlouquecida máquina de passar roupa que me assombra, como assombrará vocês, e também um número de crianças persuasivamente malvadas que daria para encher a Disney World em qualquer Domingo de fevereiro, mas o principal é a narrativa.
O leitor é levado a importar-se.
Notem bem: duas das mais difíceis áreas nas quais escrever são o humor e o ocultismo. Em mãos inábeis, o humor se transforma em lamento fúnebre e o ocultismo se torna engraçado.
Contudo, uma vez que se saiba como, é possível escrever sobre qualquer assunto.
Stephen King não se restringirá ao seu presente campo de intenso interesse.
Um dos contos mais vibrantes e impressionantes deste livro é “O último degrau da escada”. Uma jóia rara. Nenhum vestígio ou sussurro de outros mundos.
Palavra final.
Stephen King não escreve para agradar ao leitor. Escreve para agradar a si mesmo. Eu escrevo para me agradar. Quando isso ocorre, o leitor também gosta da obra. Estas histórias agradaram Stephen King e me agradam.
Por uma estranha coincidência, no dia em que escrevo estas linhas, o romance “O iluminado”, de Stephen King, e o meu romance “Condominium” estão na lista dos best sellers. Não competimos um com o outro pela atenção de vocês. Competimos, suponho, com os livros ineptos, pretenciosos e sensacionalistas publicados por autores muito conhecidos que realmente nunca se deram o trabalho de aprender o seu ofício.
No que diz respeito à narrativa, bem como ao prazer, há falta de Stephen Kings.
Se leram toda esta introdução, acho que dispõem de bastante tempo. Poderiam estar lendo os contos de Stephen King.

  • criado por  rmarchesin criado por rmarchesin
  • Postado em 21:17:30

05.02.08

Invisível

categorias: Crônica

Este é uma crônica dedicada a todos que se sentem invisíveis nessa sociedade injusta em que vivemos.

Invisível

Bem, a história que eu vou contar é a de um homem.
Um homem tão excluído pela sociedade que um dia acordou invisível. Levantou de sua cama sem nada perceber, só reparou a diferença quando se olhou no espelho após lavar o rosto. A princípio foi um choque, mas com o passar do tempo, ali, parado na frente do espelho, foi se acostumando com a idéia e até começou a gostar dela.
Passou a fazer umas brincadeiras com as xícaras e o bule de café durante o café-da-manhã. Os fazia voar! Mas não tinha a quem mostrar suas façanhas, era um cara excluído, não tinha mulher nem qualquer outra manifestação de família. Resolveu, então, sair pela rua e aproveitar...
No centro da cidade, onde estava a maior concentração de pessoas, começou a fazer seus truques. Fez latas de lixo voarem para cá e para lá, fez papéis e tudo o mais que sua força agüentava levantar planarem. Só que ninguém reparava nele, estava em São Paulo, lá as pessoas são atarefadas e não se importam com coisas do tipo. Algumas até olhavam, mas passavam reto e seguiam para suas tarefas diárias sem dar maior atenção a essas coisas sobrenaturais.
Vendo que seus feitos não surtiam efeitos, pensou consigo: “Vou aproveitar”, e esfregou as mãos, mas isso nem eu vi, ele está invisível! Logo a sua frente, parada na calçada, havia uma mulher loira, linda, siliconada (para simplificar). Seus dedos haviam de tocá-la, mas, antes de tocar um dual beldades, deveria estrear as mãos. Viu uma mulher já com sua idade, os cabelos estavam brancos, levou as duas mãos aos seios dela. Eram macios, nunca havia feito isso antes, ele era excluído, já não disse? A senhora abriu um sorriso.
Bom, acontece que ele foi até a siliconada, chegou por trás e tacou uma mão numa nádega e a outra num peito. Peito duro, “o da senhora é melhor”, pensou. A mulher gritou: Tarado! Foi quando ele viu um homem de dois metros de altura surgir, os músculos eram enormes! Foi o tempo de fugir, não era necessário, mas correu. Não sabe ele que o homem que estava atrás da mulher faleceu vinte dias depois de entrar em coma por causa de um soco causador de uma fratura craniana.
Em certo momento desse dia, nosso homem invisível já estava tão acostumado em ser invisível que já tinha esquecido que ninguém podia vê-lo. Foi quando resolveu atravessar uma das movimentadas avenidas de São Paulo sem olhar para os dois lados. Foi uma coisa estranha para o dono do Gol 98 vermelho. O carro amassou do nada.
Os dias se passaram e volta e meia alguns carros dão alguns pulos, algumas pessoas tropeçam em algo que não podem ver, nem reparam direito, pensam que foi uma pedra ou uma marcha errada. O corpo do nosso homem jaz perdido por aí, as vezes preso em algum pneu ou dentro do sapato de alguém. Eu só não sei dizer se essa história é verdadeira pois eu nunca vi o cara, ele estava invisível e antes ele era excluído, por que eu iria reparar nele? mas um homem morreu por causa de um murro e outro perdeu o pára-choque do carro. pelo menos uma coisa é certa: não vai mudar nada mesmo...

  • criado por  rmarchesin criado por rmarchesin
  • Postado em 18:52:18

03.02.08

O Mestre das Aranhas

categorias: Narrativa

Este conto foi meu primeiro conto publicado em livro. Foi publicado na antologia Contos Fantásticos Volume 4, pela Editora CBJE e selo BrLetras. Também foi utilizado em didática com alunos do Ensino Fundamental do Colégio Nossa Senhora do Carmo em São Paulo. Além de ser classificado para publicação pela Editora CBJE, foi, também, classificado pela Andross Editora, no entanto não foi publicado pela mesma por motivos terceiros, no entanto agradeço ao editor Edson Rossato a oportunidade oferecida.

O Mestre das Aranhas

Caio era um garoto muito bagunceiro, seu quarto era um caos, roupas espalhadas pelo chão, a cama sempre desarrumada. Havia tanta sujeira em seu quarto que muitos animais começaram a fazer dele sua casa. Os ratos faziam seus ninhos nas roupas jogadas no chão, as formigas estavam espalhadas por todos os cantos, as baratas corriam pelo quarto a vontade. Mas o que mais havia lá era aranhas, havia aranhas grandes, pequenas, aranhas de todos os tipos.
Um dia Caio estava indo até seu armário guarda-roupas procurar por novas camisas. Foi tropeçando em cuecas, bermudas, ratos, livros e em outras coisas mais. Na maçaneta da porta do armário havia uma aranha que lhe impedia de abrir a porta, estava com medo de tocar na aranha e levar uma picada, sabia que não existia cura para veneno desses aracnídeos. Agachou e pegou um sapato para acertar a aranha, mas com pena desse minúsculo animal resolveu pedir licença para a aranha. Sorriu em ver que a aranha o obedeceu saindo da maçaneta. “Claro que era apenas coincidência” pensou Caio. Na blusa que pegou no armário estava estampado a foto do herói dos quadrinhos Homem Aranha.
Fechou a porta, a pequena aranha ainda estava por ali, como que por brincadeira, Caio falou:
- Pode voltar. – E assim fez a aranha, voltou para a maçaneta.
Caio falou alto:
- Sou o mestre das aranhas – ainda acreditava ser uma grande coincidência. – Venha até esse ponto – ordenou colocando o dedo numa parte da porta. A aranha seguiu até o ponto. Um enorme sorriso surgiu no rosto de Caio ainda não acreditava que poderia controlar aquela minúsculo animal.
Por brincadeira falou em voz alta:
- Aranhas venham até meus pés!
Aconteceu que milhares de aranhas começaram a surgir das roupas estendidas no chão, dos móveis, até mesmo a aranha que ele mandara sair da maçaneta se misturou entre as milhares, e seguiram até seus pés.
Caio ordenou-as em fileiras, separou-as por espécie, ordenou-as tarefas até ter certeza de que possuía um controle sobre elas. Fez enormes frases com as teias delas, passou dias fazendo as aranhas seguí-lo. Onde ia, controlava todas as aranhas.
Um dia, quando andava por uma praça, um homem vestido com um casaco todo sujo e com um gorro que cobria o rosto, tentou assaltá-lo, tentou levar a carteira, o relógio e uma mochila que carregava nas costas. Caio, por desespero, gritou:
- Aranhas!, ataquem esse ladrão!
O ladrão olhou surpreso para o rosto de Caio e começou a rir do que ele havia dito. Pedir ajuda à aranhas, que estranho. Quando o homem com a jaqueta virou, haviam milhares de aranhas seguindo em sua direção.
- Moleque, como você fez isso? – gritou desesperado e começou a correr pisando nas aranhas, mas eram tantas que começaram a subir em suas pernas. Caiu no chão. Logo cobriram o corpo do homem todo.
Caio ordenou:
- Saiam de cima dele! – e assim fizeram.
O homem estava inchado, com bolhas enormes e pretas, o pus escorria pelo corpo todo. Estava morto.
Caio sentiu uma culpa enorme, mas ainda mais enorme foi sua sensação de poder.
Os dias passaram e Caio começou a ser possuído pelo poder. Passou a usar as aranhas para conseguir tudo, como foi um caso na escola em que estudava. Um garoto, grande e forte, sempre o pegava para dar uns bons sopapos. Numa manhã de aula, Caio viu o garoto vindo em sua direção, chamou uma aranha que estava no bolso de sua camisa, agachou, colocou-a no chão e ordenou que ela o picasse. Quando o garoto o segurou pela blusa, a aranha subiu pelo tênis e entrou na meia do rapaz. Primeiro foi como uma agulhada, mas alguns segundos depois o garoto estava estendido no chão, sem o tênis e a meia, o pé inchado e roxo, gritava de dor. Uma semana depois Caio recebeu a notícia de que aquele garoto havia perdido o pé, a mãe do garoto foi até a escola apresentar a justificativa pela falta, parece que ele levou picada de uma Aranha Marrom, a mais venenosa da região, foi muita sorte dele ter dado apenas gangrena no pé, era quase certa a morte após a picada de uma aranha daquela espécie.
Não parou por aí, Caio começou a ameaçar pessoas com as aranhas, todos o chamavam de maluco por andar com aranhas no bolso. Passou a roubar, espalhava aranhas nas lojas que possuíam algo de seu desejo. Isso foi muito pouco. Nem mesmo remorso teve quando viu um cachorro ser devorado pelas aranhas, na verdade riu do que fazia, parecia que seu coração havia virado uma pedra ou, mesmo, era o coração de um aracnídeo.
Num dia desses viu na televisão um filme de um homem que virava uma aranha gigante após ser picado por uma. A idéia que teve... O poder lhe subiu definitivamente à mente, não bastava ter o controle, precisava ser uma, ser forte, ser muito forte. Parou no quarto, ordenou:
- Todas as aranhas que escutam minhas palavras!, subam em mim! – e milhões de aranhas surgiram, entraram no quarto, subiram em Caio. Ele, em pé, ergueu os braços e foi coberto por milhares de aranhas andando sobre seu corpo. – Piquem-me! – gritou. Caiu no chão.
Do lado de fora da casa havia um enorme alvoroço, as pessoas estavam na rua, assustadas. Milhares de aranhas seguiam em direção à casa de Caio. Não... não só naquela rua, em todas as ruas da cidade, do país, do mundo, todas as aranhas do mundo começaram a seguir na mesma direção, seguiram na direção da casa de Caio, mais parecia um fenômeno biológico inexplicável. De repente todas pararam nos lugares em que estavam e ali ficaram por dias, sendo mortas pelos humanos com dedetizadores. Um grande desequilíbrio ecológico ocorreu, as aranhas quase foram extintas.

***

Um dia depois da última ordem de Caio:
- Pobre menino, estava passando por uma fase tão difícil, estava em enorme depressão depois da morte dos pais, não tinha ninguém para cuidar dele. – disse o padeiro da rua em que Caio morava – Naquela casa, sozinho. Eu sempre levava pão e leite para ele. Ele tentou se recuperar, tentou ir a escola... uma semana, mas não conseguiu. O pior foi quando ele chegou na minha padaria e me ameaçou com uma aranha.
- Como foi que você encontrou ele? – perguntou a repórter do jornal nacional.
- As aranhas seguiam para a casa dele. Entrei na casa, milhares de aranhas, assim como do lado de fora, fui com um rodo retirando-as do caminho, mas eram muitas. Cheguei ao quarto, ali não tinham apenas milhares de aranhas, havia muito mais e logo ali na frente, o menino, coberto com um cobertor de aranhas. Com o rodo retirei as aranhas de seu corpo. Peguei o garoto e levei até a rua, ele ainda estava vivo. Foi quando cai no chão, havia levado picadas nos braços. Ele morreu a caminho do hospital, aí as aranhas pararam, imóveis.
- Como o senhor sobreviveu?
- Como tenho próteses no lugar de pernas, não levei nenhuma picada nas pernas. Os médicos me disseram que foi um milagre, mas como pode ver, não tenho mais os braços. – respirou alguns instantes – talvez também tenha sido um milagre esse menino...

  • criado por  rmarchesin criado por rmarchesin
  • Postado em 19:12:05